Os homicídios de mulheres registraram uma redução de 27,7% no Brasil no período de 2014 a 2024, totalizando 46.336 casos. A queda decorre principalmente da diminuição dos crimes cometidos fora do ambiente doméstico. De acordo com o Atlas da Violência 2026, divulgado pelo Ipea e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os maiores índices de letalidade se concentram nas regiões Norte e Nordeste, com destaque negativo para Roraima e Amazonas. Em contrapartida, os assassinatos no ambiente doméstico mantiveram-se estáveis, evidenciando a persistência do feminicídio, que vitimou 3.642 mulheres em 2024 e representou 40,3% do total de mortes acumuladas em 11 anos.
O relatório aponta ainda que as mulheres negras continuam sendo as principais vítimas da violência letal, respondendo por 67,5% dos assassinatos em 2024, com uma taxa 66,7% superior à de mulheres não negras. No âmbito da violência não letal, foram registrados 293.842 casos, sendo que 64% das agressões ocorreram dentro de casa, apresentando alto índice de reincidência. O estudo detalha que o perfil da violência varia conforme a idade: negligência predomina na infância e na terceira idade, violência sexual atinge a faixa de 10 a 14 anos, e a violência física prevalece entre os 15 e 69 anos.
Principais dados do levantamento:
- Feminicídios: Estabilidade nos índices domésticos, com 3.642 vítimas fatais registradas em 2024.
- Recorte de Raça: Mulheres negras representaram 67,5% das vítimas de homicídio em 2024, evidenciando o impacto do racismo estrutural.
- Violência Não Letal: Foram 293.842 notificações; 66,2% das mulheres acolhidas na rede de saúde relataram episódios repetidos de agressão no mesmo ano.
- Faixa Etária: Meninas de 10 a 14 anos têm a violência sexual como a principal ocorrência reportada, somando 45,5% dos casos.