O Paraná se consolidou como referência nacional no Sistema Estadual de Transplantes, mantendo, ao lado de Santa Catarina, a menor taxa de recusa familiar para doação de órgãos do país (30%), enquanto a média brasileira é de 45%. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o resultado é fruto da qualificação das equipes de abordagem e da padronização de fluxos que garantem um acolhimento humanizado às famílias em momentos críticos. Somente nos dois primeiros meses de 2026, o estado já viabilizou 123 doações de órgãos.
Um dos rostos dessa estatística é Mariana Chuch, de 17 anos, que recebeu um novo coração há quase um ano após uma vida de luta contra uma miocardiopatia genética. "Estou pronta para viver plenamente", afirma a jovem, que agora planeja cursar Psicologia. No Paraná, os rins e as córneas lideram o volume de procedimentos, mas o transplante de coração, como o de Mariana, representa o auge da complexidade e da esperança para pacientes em lista de espera. Em 2025, foram 31 transplantes de coração realizados no estado.
A coordenadora do Sistema Estadual de Transplantes, Juliana Ribeiro Giugni, reforça que, no Brasil, a doação depende exclusivamente da autorização dos parentes próximos. Por isso, informar a família sobre o desejo de ser doador ainda em vida é o passo mais importante para agilizar o processo. Um único doador pode salvar até oito vidas, transformando a dor da perda em um recomeço para quem aguarda por uma chance em lista única, baseada em critérios rígidos de compatibilidade e gravidade.